Archive for the 'Histórias do Futebol' Category

Um final infeliz …

Texto escrito para o blog por um amigo gremista…


A primeira vez que ouvi a notícia do interesse do Grêmio em Ronaldinho Gaúcho senti uma mistura de alegria e desconfiança. Alegria pois seria a grande chance de reatar o relacionamento com um dos maiores craques que já surgiram no clube da Azenha e ter seu talento conduzindo o Grêmio rumo ao segundo mundial em 2011. Desconfiança pois sabe-se bem que apesar de diferenciado, Ronaldinho há muito não tem como prioridade voltar a ser aquele dos tempos de Barcelona que teve Madridistas aplaudindo de pé e com lenços brancos às mãos, para citar apenas um episódio.

Anunciado seu retorno ao Brasil, o jogador e seu irmão sinalizaram 3 opções: Grêmio, Palmeiras e Flamengo. Analisando sob a ótica inicial, as opções de Ronaldinho o apresentavam uma grande dificuldade de decisão pois, se no Grêmio ele tinha seu suposto time do coração e a chance de se redimir com a torcida e clube depois do triste episódio de sua saída, no Palmeiras ele teria a anunciada melhor proposta e a proximidade de Felipão. Já no Flamengo, a maior torcida do Brasil e o grande estilo de vida desejado pelo jogador: morar no Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa com suas praias, beleza natural e festas. Por um lado, dois clubes grandes no centro da mídia brasileira, por outro, o clube que o projetou e único que disputará a Libertadores em 2011. Ao que tudo indica, todos os clubes aceitaram a oferta inicial do empresário-irmão do jogador e deram como “fechada” a negociação em algum momento, o que provou ser um grande erro.

Ronaldinho e Assis conduziram as negociações como se fossem aquela mulher que manipula e dá corda, aumentando a vontade de todos seus pretendentes simultaneamente. Porém apenas um a poderia levar para casa no final da noite. A esperança que torcedores do Palmeiras e, principalmente, Grêmio, tiveram em dado momento se transformou em frustração e raiva. Como torcedor do Grêmio, posso dizer que a sensação é de amargor com a nova traição, como se a chance à uma bela mulher fosse dada e a injúria se repetisse novamente. O dinheiro não foi fator decisivo nessa negociação, isso ele ganharia com todos. Talvez a ganância tenha jogado sim um papel fundamental. Mas mais do que isso, o que foi provado nessa história toda é que Ronaldinho, no final das contas, não é mesmo um gremista de coração e não merece vestir o manto sagrado tricolor, o que é uma pena.

É aquela velha história: “se o problema não tem solução, então não há porque se preocupar. Se tem solução, então também não … “. Se Ronaldinho tivesse escolhido o Grêmio, então teria provado seu amor e seria recebido de braços abertos. Como não o fez, a torcida tem todo direito de se sentir traída e não mais querer saber de um jogador que preferiu o Rio e seus encantos ao time gaúcho. Ronaldinho poderia ter se tornado o maior ídolo da história do Grêmio, conduzinho a equipe a quem sabe mais de uma taça Libertadores da América. Preferiu se tornar o maior vilão da história do tricolor porto-alegrense.

Eu estava lá – Libertadores 1993.

Imagem extraída do site http://www.globoesporte.com, foto da Agência Estado.

Esse post dará início a uma outra série do Blog que contará alguns “causos” da bola. Algumas histórias contadas por quem as viveu, quem estava lá e contará de uma maneira única e pessoal o que sentiu quando viu a história sendo feita diante de seus olhos.

Aproveitando que o Estádio Cícero Pompeo de Toledo fez no último dia 02, sábado, 50 anos de história, nosso primeiro momento se passou ali, no Morumbi.

Eu tinha recém feito 9 anos quando graças a uma viagem dos meus pais, vim com minha irmã passar um mês em São Paulo. Depois de passados 17 anos lembro de poucas coisas, uma é do frio que fez aqui naquele mês, e outra foi a primeira partida da final da Libertadores daquele ano, disputada entre São Paulo e Universidad Católica del Chile.

Não encherei vocês aqui com dados do jogo, escalação, nada disso, tentarei passar um pouco da emoção que foi, mesmo eu não sendo são paulino, ver aquele show no meio de 100.000 pessoas.

Iríamos três primos meus mais velhos, meu tio e dois amigos de um dos primos além de mim, porém meu tio que é cirurgião cardíaco teve que ir operar e fomos só os primos e amigos. Minha tia morava perto do Morumbi naquela época, então fomos a pé, todos muito encasacados pois o frio naquela noite era demais.

Era muita gente, e eu, saído de Santa Catarina, nunca tinha visto nada igual. Na hora da entrada, no momento da revista o grupo se dispersou, meu primo mais velho e os dois amigos se perderam de mim e meus dois outros primos. Ficamos uns 15 minutos ali na rampa procurando o resto da galera, mas não encontrando ninguém, resolvemos entrar logo antes que não tivesse mais lugar no anel superior. Quando chegamos na arquibancada e eu vi o gramado meu coração parou por 1 segundo, mas isso é até normal, ainda hoje posso ir em qualquer estádio, assistir a qualquer jogo que aquele momento para mim, quando o gramado aparece e vai crescendo meu coração para um segundinho. O negócio foi quando olhei para a arquibancada e vi gente, mas era muita gente e meu estômago veio parar na boca. Queria ir embora, um medo súbito tomou conta, mas meu primo (Graças a Deus) simplesmente me disse “Bê, tá passando mal vomita aí, porque eu não voltou não”. As palavras não foram das mais delicadas, mas eu agradeço até hoje. Encontramos um casal de velhinhos que meu colocou no meio deles e eu me senti mais seguro.

Passado o medo inicial, quando o time do São Paulo entrou em campo foi um êxtase coletivo tão grande que eu queria que aquilo não acabasse, se fosse para eu torcer para o São Paulo, aquele era o momento. Lembro daquele timaço até hoje, Zetti, Vítor, Gilmar, Válber e Ronaldo Luís; Dinho, Pintado, Raí e Cafu (jogava de meia nessa época); Palhinha e Müller. E como jogou o São Paulo, talvez tenha sido a melhor apresentação de um time de futebol que eu já vi na vida. Foi 5×1 aquele jogo, mas se fosse 8, 10 não seria demais, e a cada gol a torcida ia a loucura, teve gol de peito do Raí, gol de voleio do Müller, ou será que foi ao contrário, não lembro, acho que foi isso, mas era tanto gol, tanta jogada bonita que aquele moleque de 9 anos não conseguia entender direito o que se passava. Nesse jogo teve ainda um momento mágico do Zetti quando o jogo já era goleada, se não me falha a memória, que o goleiro fez 4 defesas à queima-roupa, coisa linda, a torcida comemorou mais que gol.

O lance foi tão espetacular que agora, enquanto escrevia procurei no Youtube para ver se encontrava para por aqui, e achei, no final do texto coloquei um vídeo que mostra essas defesas.

Voltamos para casa, não sem antes comprar uma camisa na porta do estádio, muito felizes, e chegando na porta da casa da minha tia encontramos a outra metade da trupe. Foi um jogo mágico, na minha memória tinham 99.996 pagantes naquele jogo, mas talvez seja coisa da minha cabeça. Até hoje lembro muito do jogo, foi um espetáculo, e não à toa um time praticamente igual, sem o Raí que se transferiu ao PSG no meio do ano, foi Campeão Intercontinental em cima do Milan por 3×2.

Essa foi a primeira história que tenho para contar, se alguém que lê o blog quiser contar sua história, o espaço está aberto, manda um comentário dizendo que eu entro em contato via e-mail e postamos aqui.

Agora, conforme prometido, o vídeo do Zetti, e embaixo do vídeo uma foto daquele time:

Em pé: Gilmar, Zetti, Vítor, Pintado, Dinho e Ronaldo Luís; agachados: Müller, Palhinha, Válber, Raí e Cafu.


Dois Toques

Lugar que um doido por esporte, principalmente futebol criou para escrever, ler, debater sobre tudo que seja relacionado ao esporte Bretão.

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