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Bom resultado, mas poderia ter sido melhor

Vamos à Copa do Brasil. Ontem em Curitiba, o Vasco enfrentava o Atlético-PR e, principalmente testava sua capacidade de se reerguer após a perda do título da Taça Rio para o Flamengo.

Passou no teste. O empate em 2×2, além de ser um resultado muito bom e permitir o time da Colina empatar em casa por 0x0 ou 1×1 para se classificar, mostrou que o time não sentiu a derrota nos pênaltis no domingo e fez, provavelmente, sua melhor partida na temporada.

Diego Souza ao menos fez seu melhor jogo com a camisa cruzmaltina, dando assistência para o primeiro gol e acertando um senhor chute no segundo gol vascaíno; um golaço!

Pelo que apresentou ontem, o Vasco poderia, e deveria ter saído com um resultado melhor, mas a arbitragem confusa e dois vacilos da zaga impediram que isso acontecesse. O número de gols perdidos por Eder Luiz também deve constar nessa conta, está jogando bem, mas perde gol na mesma proporção.

Para finalizar sobra o time carioca, na minha opinião, um time que tem Felipe e Diego Souza no meio não pode forçar tanto a jogada na ponta com Eder Luiz. Por mais que as jogadas têm dado certo, que ele esteja em boa fase, os gols saem quando a bola é bem trabalhada no meio. E ressalte-se, Felipe tem jogado desmarcado, com o espaço que precisa para fazer a diferença. Precisa forçar mais a bola nele.

O Atlético-PR depende muito da bola parada e principalmente de Paulo Baier. No primeiro tempo só com ele de meia, e com 3 volantes o time paranaense foi inoperante no ataque e não tão preciso na marcação.

Na segunda etapa, com a entrada de Branquinho o time melhorou muito e conseguiu buscar o empate por duas vezes.

E para variar a arbitragem foi confusa. Primeiro o árbitro deu um cartão amarelo para Alecsandro, que o suspende para o jogo de volta, por ele ter feito careta para a torcida do Atlético.

Não bastasse a bobagem sem tamanho, o “juízão” demonstrou ignorância futebolística absurda. A comemoração do jogador vascaíno simplesmente era uma homenagem ao seu pai, o ex-jogador Lela que foi durante anos atacante do Coritiba e comemorava gol dessa maneira. E nunca recebeu cartão por isso.

Depois em uma falta em cima de Paulo Baier na entrada da área vascaína o árbitro deu três cartões amarelos. Mas a jogada tinha que ter sido parada antes pois o zagueiro vascaíno tinha sofrido falta.

Tudo bem, não é tão grave, mas ele é tão confuso que a transmissão da ESPN achava que ele tinha dado 2 cartões para Felipe sem dar-lhe o cartão vermelho, inclusive indo perguntar para o quarto árbitro que também não sabia o que se passava.

Para finalizar, o pênalti que originou o empate rubronegro aos 43′ do segundo tempo, se deu em lance bem duvidoso, pois Branquinho, (que entrou no segundo tempo e deu outra movimentação à equipe, melhorando-a muito) se jogou antes do suposto toque de Ramon.

Confusões de lado, foi um jogo muito bom em Curitiba, o Atlético é um time perigoso, aguerrido e vai para o Rio atrás da classificação. E um time que tem a bola parada que ele tem, é sempre uma equipe perigosa.

Por outro lado o Vasco parece cada vez mais encontrar um padrão de jogo, e é favorito para chegar à semi.

Depois não tem choro

Esse aí na foto é Paulo César Carpegiani, então jogador da Seleção Brasileira de Futebol. Como técnico também é dono de um currículo vitorioso, mas que até poucos meses atrás vinha em uma fase longa de trabalhos discutíveis, sem muito sucesso. Eis que aportou em Curitiba, e mesmo com um elenco sem muitas estrelas conseguiu alçar o Atlético-PR à um excelente e inesperado 5º lugar.

No meio desse sucesso era provável que times que hoje contam apenas com um técnico interino, como São Paulo e Santos, fossem atrás dele, e foi justamente o que aconteceu, e hoje Paulo César Carpegiani acertou sua volta ao clube do Morumbi.

Minha opinião é simples, negócio ruim para os três lados, não vejo ninguém que tenha saído ganhando nisso tudo. O primeiro, e maior prejudicado é obviamente o Atlético, que faz um campeonato muito bom, mas que agora com a saída de seu treinador, deve ter uma queda de rendimento pelo menos nas próximas rodadas. Carpegiani troca a certeza de já ter feito um bom trabalho para chegar em um clube que no momento se encontra de cabeça para baixo, lutará por nada nesse Campeonato, e mais, com um Presidente que tem demonstrado uma certa instabilidade nas suas decisões, nunca ninguém sabe o que Juvenal Juvêncio poderá fazer no dia seguinte. E por último, o São Paulo está apostando em um técnico que vinha de muitos trabalhos ruins, e que só agora nesse ano voltava a fazer um bom campeonato, não me convence que irá resolver todos os problemas do Morumbi. Acho que a chance de não dar certo é muito maior.

Enfim, quando digo que ninguém saiu ganhando, claramente me refiro ao lado esportivo da transferência, não entro na questão financeira.

Agora chegou a hora de eu explicar o porquê do título desse post, e não é difícil de entender também. No mundo, e principalmente no nosso futebol, qualquer crise em um clube culmina com a demissão do treinador, e todos reclamam dessa falta de comprometimento, o velho discurso de que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco. Pois bem, Carpegiani abandonou o barco no meio do oceano, e aí? Aí que se daqui a 3 meses ele for mandado embora do São Paulo, se o time resolver rescindir seu contrato, só espero que ele não tenha cara de pau de reclamar, aliás ele não poderá nunca mais reclamar se for demitido no meio de um contrato.

Não, não estou sendo radical, só penso que Carpegiani mostrou com sua atitude, que para ele, havendo uma oportunidade melhor para uma das partes contratantes, essa deve aproveitar. Ele deixou bem claro, que essa suposta questão ética de começar e cumprir um contrato na sua totalidade não é de relevância para ele como, por exemplo, para Muricy Ramalho.

A questão é bem controversa, pois ninguém garante que se ele perdesse quatro jogos seguidos agora e o Atlético despencasse na tabela ele não seria mandado embora. Realmente isso poderia acontecer. Então o negócio é o seguinte, vamos para com a falsa ética, a hipocrisia se preferirem. O futebol como todas as áreas profissionais é feito de propostas e trocas de emprego. Se uma empresa oferece um cargo melhor que o que possuímos onde trabalhamos, devemos ir, é o nosso trabalho afinal. O que não pode é dirigentes e torcida ficarem chamando seus técnicos e jogadores de mercenários porque foram para outro clube mas se perdem dois ou três jogos ficarem pedindo sua cabeça.

Então Carpegiani, vai, mas não vem chorar depois.


Dois Toques

Lugar que um doido por esporte, principalmente futebol criou para escrever, ler, debater sobre tudo que seja relacionado ao esporte Bretão.

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